Estratégia  ·  Caso de Estudo

Café Nova:
o colapso de uma margem

Um caso de management consulting de 30 minutos, trabalhado de ponta a ponta. Uma cadeia de cafés cresce 15% e a margem cai de 25% para 7%. A administração quer uma explicação. Aqui está como eu o estruturaria, e onde me comprometo.

MECE Árvore de Drivers Unit Economics Análise de P&L
11 min de leitura

Este é um caso de management consulting de 30 minutos que eu próprio montei e resolvi de ponta a ponta. A empresa é fictícia e os números são feitos para treino, por isso os dados estão mais arrumados do que um P&L real alguma vez está. Digo onde, no fim.

O que me interessa não é tanto a resposta, mas como lá chego, e onde estou disposto a comprometer-me quando os dados ficam escassos. Em resumo: a Café Nova não tem um problema de custos. Tem um problema de receita por loja, por ter crescido mais depressa do que conseguia montar equipa e gerir.

Contexto

O enunciado

A Café Nova é uma cadeia de cafés portuguesa em Lisboa e no Porto. Em 18 meses fez duas grandes apostas: cresceu de 33 para 45 lojas, 12 delas novas, e investiu 800.000€ numa app de encomendas para entrega e pré-encomenda. A receita cresceu 15%, mas a margem operacional caiu de 25% para 7%, e a administração quer uma explicação. Quatro executivos têm cada um a sua teoria.

CEO
"As lojas novas só precisam de mais tempo para amadurecer."
CFO
"Os custos de pessoal subiram 46% e a app não está a gerar o retorno que projetámos."
COO
"Abrimos 12 lojas em 18 meses. Os nossos gestores estão sobrecarregados e as equipas esgotadas."
CMO
"O nosso NPS caiu 19 pontos. Os clientes estão a notar a queda na qualidade do serviço."
Os números

Os dados em cima da mesa

MétricaAno anteriorAno atual
Demonstração de resultados
Receita total10,8 M€12,4 M€ (+15%)
Custo das mercadorias (% rec.)4,1 M€ (38%)5,2 M€ (42%)
Custos de pessoal (% rec.)2,6 M€ (24%)3,8 M€ (31%)
Renda e encargos (% rec.)1,4 M€ (13%)1,9 M€ (15%)
App e digital (% rec.)n/d0,6 M€ (5%)
EBIT (% rec.)2,7 M€ (25%)0,9 M€ (7%)
Operações
Nº de lojas3345 (+12 novas)
Receita média por loja327 K€276 K€ (-16%)
Recursos humanos
Rotatividade de pessoal21%40%
Experiência do cliente
Net Promoter Score6142 (-19 pts)
App e digital
Utilizadores ativos mensaisMeta 25.0008.200 (-67%)
Comissão da plataformaProjetada 12%Real 28%
A rotatividade média do setor ronda os 22% nos dois anos (o número do caso; a hotelaria real anda mais alto). Pressuposto para a análise: lojas novas ≈ 217 K€ cada; a receita da app ≈ 1,2 M€ (cerca de 10% do total); rácio de gestão ≈ 1:11; as comissões de entrega estão dentro do Custo das mercadorias; ticket médio de 5,20€ para 4,80€, menos 8%.
Pergunta 1  ·  Estrutura
Q1 Usando MECE, quais são as principais categorias a analisar para perceber porque é que a margem EBIT caiu de 25% para 7%?

Receita por loja a cair, não custos descontrolados

A margem EBIT é a receita menos quatro linhas de custo, cada uma como percentagem da receita, e os quatro rácios subiram. A leitura fácil é que os custos descontrolaram. Antes de aceitar isso, quero perceber se os rácios subiram porque os custos cresceram, ou porque a receita por loja caiu e os puxou para cima de forma mecânica. Por isso começo pelos números por loja.

A renda por loja está praticamente estável, à volta de 42 K€ nos dois anos, portanto os +2pp na renda não são renda a subir. É a receita por loja a encolher por baixo. O pessoal por loja subiu cerca de 7%, mas o rácio de pessoal saltou uns 7 pontos completos, de 24% para 31%. Se a receita por loja tivesse aguentado o nível do ano anterior, essa mesma folha salarial daria à volta de 26%. Ou seja, dos 7 pontos de salto, só uns 2 são pessoal a custar mais; os outros 5 são a queda da receita por loja.

COGS +4pp
Em parte as comissões de entrega de 28% que agora estão lá dentro (até uns 2,7pp, se for tudo entrega), em parte o ticket mais baixo. É mais uma história de qualidade de receita e de mix do que de custo.
Pessoal +7pp
Só uns 2pp são pessoal a custar mais. Os outros 5pp são a receita por loja a cair contra uma folha salarial quase fixa.
Renda +2pp
A renda por loja está estável, à volta de 42 K€. O aumento todo é o denominador da receita a encolher.
App +5pp
A única linha que é mesmo gasto novo, e um investimento deliberado em vez de um descontrolo.
De onde vêm, na verdade, os 18 pontos de queda da margem.

Por isso só a app é claramente custo novo. O resto é a receita por loja a colapsar, menos 16%, contra uma base de custos que mal mexeu por loja. Uma conta de cabeça: se as 45 lojas tivessem feito cada uma os 327 K€ do ano passado, a margem ficaria perto dos 22% mesmo carregando todos os custos de hoje, app incluída. Isto mantém as linhas de custo fixas, por isso favorece um pouco o cenário, mas a direção mantém-se. A queda daí até aos 7% é o défice de receita por loja.

As categorias a analisar saem daí. Na receita: lojas separadas entre novas e estabelecidas, receita por loja, ticket e mix de canal. No custo: o retorno da app em concreto, e se alguma linha está mesmo alta depois de ajustar para o défice de receita.

Para a administração, numa frase: a margem não colapsou por os custos terem disparado. Colapsou porque cada loja gera cerca de 16% menos contra uma base de custos que mal mexeu. A alavanca é a receita por loja, e eu não me cortava para sair disto.
Pergunta 2  ·  Árvore de drivers
Q2 Constrói uma árvore de drivers da receita. Que drivers mostram os maiores problemas, do lado da receita e do custo?

O núcleo está a encolher, e é o ticket que o faz

Receita é lojas vezes receita por loja, e receita por loja é clientes diários vezes ticket vezes dias de operação. Também a dividiria por canal, em loja versus entrega. A percorrer onde parte:

Lojas
45, mais 36%. As 12 novas fazem cerca de 217 K€ cada.
Receita / loja
Desceu para 276 K€, 16% menos. Há duas coisas diferentes escondidas aqui. As lojas novas a uns 217 K€ puxam a média para baixo, mas um café com um ano a faturar menos do que um maduro é só arranque. O que me preocupa são as 33 estabelecidas: com aquele pressuposto dos 217 K€, escorregam de 327 K€ para uns 297 K€, cerca de 9% menos. O núcleo a encolher já não é uma história de arranque.
Ticket
5,20€ para 4,80€, menos 8%, e isto atinge todas as lojas. É este o motor da queda same-store: um ticket 8% mais baixo com um footfall praticamente plano é quase os 9% todos.
Digital
8.200 utilizadores contra uma meta de 25.000, cerca de 1,2 M€, à volta de 10% da receita no primeiro ano.

Por isso a queda same-store e o ticket não são dois problemas, são um. Faz a conta ao contrário: um ticket 8% mais baixo com footfall praticamente plano explica quase toda a queda same-store de 9%. As pessoas não estão a deixar de vir, estão a gastar menos por visita. Isto muda a pergunta de "porque é que os clientes saíram" para "porque é que cada visita vale menos", e o caso não diz: pode ser desconto, um mix de entrega mais barato, ou trading down. A distinção importa, porque a solução difere: trading down por pior serviço é algo que arranjar a operação reverte, ao passo que uma mudança para entrega de ticket baixo não. Vou assumir trading down, porque alinha com a queda do NPS, mas um mix pesado em entrega é o que mudaria a recomendação, e a divisão entre entrega e pré-encomenda resolvia qual dos dois é. A diluição das lojas novas é real, mas desconto-a, porque parte é esperada. Do lado do custo, a app a +5pp é o único custo novo; o resto é a queda da receita por loja a passar pelos custos fixos.

O número que eu poria em cima da mesa: ticket, menos 8% em todas as lojas. O footfall sai praticamente plano, por isso a sangria lê-se como gasto por visita, não clientes perdidos. Mas essa leitura assenta no pressuposto das lojas novas e num ticket médio da cadeia, por isso queria números same-store reais antes de a dar como certa. A queda do NPS é o aviso de que o footfall é o próximo a cair, e é esse o argumento para tratar do serviço já, antes que caia.
Pergunta 3  ·  Juízo
Q3 O CEO diz que as lojas novas precisam de mais tempo. O CFO diz para cortar custos já. Quem tem razão?

Nem esperar nem cortar: arranjar a operação

O CEO tem meia razão. As lojas novas amadurecem ao longo de 12 a 18 meses, por isso parte do défice dos 217 K€ é normal, e sinceramente não consigo dizer com estes dados se 217 K€ é mau para uma loja com um ano, porque não há curva de arranque. O que consigo dizer, com esse mesmo pressuposto das lojas novas, é que as estabelecidas parecem uns 9% abaixo, e o tempo não resolve isso. Por isso "precisa de mais tempo" cobre as lojas novas mas não o núcleo, que é o problema maior.

O CFO tem razão em que é urgente, com o EBIT em 0,9 M€, mas a solução aponta ao alvo errado. A base de custos por loja está mais ou menos normal; o problema é a receita por loja. Cortar custos num café costuma significar cortar horas de equipa, o que piora o serviço quando a rotatividade já vai em 40% e o NPS já caiu 19 pontos. Isso aprofunda o próprio problema que era suposto resolver.

A minha decisão: nenhum dos dois acerta. O problema é a receita por loja, puxada por uma operação que cresceu mais depressa do que conseguia montar equipa e gerir, por isso esperar não resolve e cortar só piora. Arranjar a operação primeiro, e voltar a julgar as lojas novas daqui a dois trimestres, quando a gestão estiver reposta.
Pergunta 4  ·  Causa raiz
Q4 Usando MECE, quais são as possíveis causas raiz dos 40% de rotatividade? Quais são as mais prováveis?

A rotatividade remete para o rácio de gestão

Dividia em quatro:

  • O próprio trabalho (carga): o span of control colapsou para uns 1:11, contra uns 1:6 mais saudáveis, e a falta de pessoal faz com que todos carreguem mais.
  • Salário e progressão: não consigo avaliar isto com os dados. O pessoal por loja subiu só uns 7%, mas isso é um número ao nível da loja, não salário por pessoa, e está enredado com a queda da receita. Quereria benchmarks salariais e headcount primeiro.
  • Onboarding e supervisão: 12 lojas novas em 18 meses com gestores a menos significa formação fina e supervisão fraca no dia a dia.
  • Fora da empresa: o caso põe a norma do setor à volta dos 22% (a hotelaria real anda mais alto), por isso parte disto é só o mercado.

Sou honesto que a primeira e a terceira se sobrepõem, já que ambas remetem para gestores a menos, por isso isto não é perfeitamente MECE. O ponto prático é que partilham uma raiz. O mais provável é o rácio de gestão: a rotatividade quase duplicou para 40%, 18 pontos acima da norma de 22%, e essa diferença é grande demais para se atribuir só ao mercado ou ao salário. O COO aponta-o diretamente.

Onde gasto primeiro: o rácio de gestores, antes de tudo o resto. E corria um benchmark salarial rápido em paralelo, em vez de ficar à espera dele.
Pergunta 5  ·  Causa vs sintoma
Q5 A queda do NPS (61 para 42) é causa raiz ou sintoma? Explica a cadeia causal.

Um sintoma que se está a tornar causa

É um sintoma, e está a começar a realimentar como causa. A cadeia: a expansão ultrapassou a capacidade de montar equipa e gerir, os gestores ficaram esticados a uns 1:11, as equipas acabaram mal formadas e saíram a 40%, o serviço ficou inconsistente, e o NPS caiu de 61 para 42 com as reclamações a subir. Até agora isso apareceu mais num ticket mais baixo do que em footfall perdido, mas uma queda de 19 pontos no NPS raramente fica contida no gasto por visita.

Sobre se o NPS antecipa ou atrasa, é as duas coisas, conforme para onde o apontas. É uma leitura atrasada da qualidade de serviço, porque reflete o que já correu mal. Mas é um indicador avançado da receita, porque o NPS de hoje prevê o negócio recorrente de amanhã.

A minha leitura: é um sintoma, mas trato-o como um indicador avançado da receita. Resolver já; não ficar só a monitorizar.
Pergunta 6  ·  A decisão da app
Q6 O CFO quer fechar a app. O CMO quer mantê-la. Qual é a tua recomendação?

Manter a app, deixar de a gerir como negócio de entregas

A minha decisão é manter, mas deixar de a gerir como um negócio de entregas, e dou um gatilho claro para quando reverteria isso. Lidero com a decisão e não com um número porque, com os dados dados, a contribuição não se prende a um valor único e fica perto do break-even de qualquer forma. O número não é o que devia decidir isto.

Primeiro, os 800 K€ de construção são afundados. Ignora-os. A única pergunta é o que a app contribui daqui para a frente. Há três coisas que resolveriam isto, e nenhuma está no caso:

Custo de produto
A cadeia tem um custo das mercadorias à volta de 38% no produto, por isso o café e a comida dentro de 1,2 M€ de entrega são uns 456 K€. O atalho tentador é receita menos a comissão de 28% menos a linha de 600 K€ da app, o que dá +264 K€ e parece lucrativo. Mas deixa cair de mansinho esses 456 K€ de custo de produto, e quando os repões o sinal inverte.
Cobertura da comissão
A comissão de 28% só atinge a entrega de terceiros; a pré-encomenda e qualquer canal próprio não pagam nada. Não sabemos a divisão entre entrega e pré-encomenda dentro dos 1,2 M€, por isso cobrar 28% sobre tudo sobrestima a comissão.
A linha dos 600 K€
Se parte dos 800 K€ de construção foi capitalizada, parte desses 600 K€ é depreciação de dinheiro já gasto, que não devia ser imputada a uma decisão para a frente.

Junta tudo e a contribuição fica perto do break-even, com uma banda larga: modestamente negativa se for tudo entrega a 28% e os 600 K€ todos forem custo futuro, modestamente positiva se uma boa fatia for pré-encomenda própria e parte dos 600 K€ for afundada. É soft demais para fechar a app com base nisso, em qualquer dos sentidos.

O verdadeiro problema é a comissão de 28% contra os 12% planeados. A 28%, a entrega de terceiros é estruturalmente de margem baixa, e isso não muda sozinho. O que vale a pena manter é o canal próprio: a pré-encomenda e a fidelização não pagam comissão e constroem uma linha direta ao cliente, que é o que protege as visitas recorrentes e o ticket. A meta de 25.000 utilizadores era ambiciosa demais; uns 10% da receita no primeiro ano é um arranque lento, não um falhanço.

A minha decisão, com gatilho: manter, deixar de a tratar como negócio de entregas, e dar-lhe dois trimestres. Se até aí a comissão de terceiros não estiver em 18% ou abaixo, e a pré-encomenda própria não estiver a caminho de uns metade do volume da app, fecho a entrega de terceiros e fico só com a pré-encomenda e a fidelização. Se as duas se mexerem, invisto mais. A administração leva um sim claro hoje e um ponto de controlo com data, não um "logo se vê" em aberto.
Pergunta 7  ·  Recomendações
Q7 Quais são as tuas três principais recomendações? Para cada uma: o quê, porquê, impacto esperado, principal risco.

Estabilizar a operação primeiro, depois crescer

1. Parar de abrir, arranjar o rácio de gestores
Pausar lojas novas e contratar três a quatro gestores de área para voltar a uns 1:6, uns 160 a 240 K€. Tudo remete para ter crescido mais depressa do que a operação aguentava. Vendia isto como proteger o núcleo, não como retorno garantido. Risco: os concorrentes continuam a expandir durante a pausa, e arrendamentos já assinados tornam-na complicada.
2. Baixar a rotatividade
Incentivos de retenção e um caminho de progressão a sério, a apontar de volta à norma de 22%. Umas 30 substituições a menos poupam 40 a 50 K€ diretos, mas o ganho maior é serviço mais estável. O rácio de pessoal de 31% é em parte estrutural, por isso a retenção não arranja o rácio sozinha. Risco: o gasto chega antes do retorno.
3. Arranjar a economia da app, não a matar
Renegociar a comissão para baixo de 18%, apostar na pré-encomenda própria e na fidelização, e pôr uma meta realista de 15 mil utilizadores. O problema é a comissão de 28%, não o conceito. A contribuição passa de perto do break-even para positiva. Risco: as plataformas podem não ceder, deixando a pré-encomenda a carregar tudo.
Se a administração só fizer uma das três, é a primeira. O fio que atravessa as três é o mesmo: isto não é um problema de crescimento nem de custos, é que a receita por loja caiu porque a operação ficou esticada. Arranja a operação e a margem segue.
Extra  ·  Dados em falta
Q8 Que dados, fora do caso, mais mudariam a tua recomendação?

O que falta mudaria a decisão

Uma entrevista a sério aperta em duas coisas que este caso testa pouco: lidar com dados em falta, e resistir a um número de falsa precisão na app. Os dados que não tenho mas mais quereria:

  • A divisão entre entrega de terceiros e pré-encomenda própria dentro dos 1,2 M€ da app. A maior lacuna. Decide quanto da comissão de 28% se aplica de facto, e portanto se a app é viável.
  • O custo de produto na entrega, e quanto da entrega é incremental versus canibaliza a loja. O mesmo tema: sem isso só consigo adivinhar a contribuição real da app.
  • Uma série de vendas same-store, e a queda do ticket decomposta em preço, promoções e mix. A série separa "as lojas novas só precisam de tempo" de "o núcleo está a erodir"; a decomposição do ticket diz-me porque é que cada visita vale menos 8%, que é a sangria real. Neste momento os 9% assentam num único número de loja nova pressuposto.

Também quereria headcount e benchmarks salariais para a questão da rotatividade, para fechar se o salário é parte da história.

Extra  ·  Estimativa
Q9 Estima a contribuição incremental da app, listando todos os custos que lhe imputas.

Perto do break-even, com os pressupostos nomeados

A partir de 1,2 M€ de receita, os custos que lhe imputo:

  • Custo de produto a uns 38% (a própria taxa da empresa): uns 456 K€.
  • Comissão a 28%, mas só na fatia de entrega. Se os 1,2 M€ forem todos entrega, 336 K€. Se metade for pré-encomenda própria, mais perto de 168 K€.
  • Custo operacional da app, até 600 K€, mas parte disso pode ser depreciação da construção afundada, por isso o verdadeiro custo de caixa futuro pode ser mais baixo.

Por isso a contribuição vai de claramente negativa (tudo entrega a 28%, 600 K€ todos futuros) a perto do break-even ou ligeiramente positiva (uma boa fatia de pré-encomenda própria, parte dos 600 K€ afundada).

Se me pressionarem por um número: comprometo-me com perto do break-even, mais ou menos 150 K€, e nomeio os dois pressupostos de que depende: a divisão entre entrega e pré-encomenda, e quanto dos 600 K€ é custo futuro real. Mostrar a banda e depois comprometer bate fazer só uma das coisas.
Verificação honesta

O que eu questionaria neste caso

Um enunciado real não seria tão arrumado, e parte do trabalho é dizê-lo. Cinco coisas que sinalizaria antes de confiar nas conclusões.

Cinco coisas que sinalizaria
Os números são suspeitosamente redondos. Cada rácio de custo é um inteiro certo e a margem cai exatamente para 25 e depois para 7. Um P&L real não sai assim tão arrumado. Lê-se como números construídos ao contrário, a partir de uma margem-alvo.
Uma margem de partida de 25% é alta para café. À volta de 15% é mais típico numa cadeia. Plausível só num operador regional muito enxuto.
Uma comissão de entrega projetada de 12% não existe neste mercado. Os agregadores cobram 25 a 35%. Leio os 12% como erro de planeamento, que é a interpretação defensável.
Os períodos não encaixam. As duas apostas decorreram em uns 18 meses, mas o P&L é anual. Reconciliaria isso antes de tirar conclusões firmes.
Falta a depreciação. Os 800 K€ de construção não aparecem em lado nenhum do P&L. É por causa dessa lacuna que a contribuição da app não fecha num número único.

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